Honestidade
Ser honesto no trabalho constrói confiança com nossos colegas, pois as pessoas tendem a confiar em indivíduos honestos. No entanto, o momento de ser honesto no ambiente profissional varia conforme o teor daquilo que está sendo comunicado.
No trabalho e, de modo geral, na vida, as pessoas apreciam a franqueza diante de boas notícias que as afetem. Se você disser honestamente a alguém que essa pessoa acabou de ganhar na loteria, recebeu a oferta do emprego dos sonhos ou foi contemplada com um aumento salarial e uma promoção, a reação tende a ser positiva.
No entanto, ao ser honesto a respeito de qualquer assunto que possa ser considerado uma má notícia — como avisar alguém que há algo preso em seus dentes, que o trabalho entregue apresenta falhas de qualidade ou que essa pessoa está constantemente atrasada para reuniões —, os indivíduos podem se ofender com facilidade, mesmo que você esteja apenas compartilhando uma verdade inequívoca e objetivamente verificável.
O medo de ofender os outros, somado ao receio de despertar desafeição, são razões comuns para a falta de franqueza, levando pessoas a faltarem com a verdade para preservar a harmonia social. Embora essa estratégia realmente funcione para manter a convivência pacífica entre estranhos, amigos e familiares, entre colegas de trabalho ela pode suprimir oportunidades de desenvolvimento pessoal, alimentar disfunções organizacionais e impedir que a empresa maximize seus pontos fortes.
No ambiente corporativo, há duas áreas nas quais você deve se sentir seguro para agir com total honestidade: fatos relacionados ao trabalho e a sua opinião profissional.
Você deve sempre ser honesto quanto a fatos profissionais, mesmo que sejam impopulares.
Por exemplo, se você tem plena certeza de que um projeto excedeu significativamente o orçamento previsto, a atitude correta é comunicar esse fato o quanto antes às pessoas certas — o que, na maioria dos casos, começa pela gestão. O mesmo princípio se aplica a qualquer outra informação desconfortável ou inconveniente, como uma estimativa de prazo muito superior à esperada, uma falha crítica de produto ou um feedback negativo de clientes.
Não ser honesto em relação a fatos profissionais configura uma falha ética, e a conduta ética é um requisito indispensável para qualquer profissional. Violações éticas são causas recorrentes de escândalos corporativos; como nenhuma empresa deseja enfrentar um escândalo, qualquer organização prefere saber a verdade sobre eventuais problemas a tempo de corrigi-los antes que saiam do controle.
Ao agir com honestidade sobre fatos impopulares, desagradáveis ou inconvenientes, existe o risco de que o destinatário da má notícia queira responsabilizar você pelo problema em andamento. Essa reação é conhecida como "atirar no mensageiro", que consiste em culpar a pessoa portadora da má notícia, independentemente de ela ter ou não responsabilidade pelo ocorrido.
O receio de ser culpado por um problema é um dos motivos que levam as pessoas à desonestidade corporativa. Contudo, como profissionais, precisamos superar esse receio e adotar a conduta correta. Se em algum momento você sentir que está sendo injustamente responsabilizado por trazer um fato profissional à tona, basta pontuar: "Por favor, não atire no mensageiro", servindo de lembrete cordial para que a equipe mantenha o foco nas soluções, em vez da culpabilização.
O outro caso em que você deve agir com honestidade é quando sua opinião profissional for explicitamente solicitada. Uma opinião profissional é fundamentada em sua formação, histórico prático e expertise — isto é, naquilo que você sabe —, diferentemente da opinião pessoal, que expressa o que você sente.
Por exemplo, ao consultar um médico, espera-se que o diagnóstico de uma fratura no tornozelo seja resultado de uma avaliação estritamente profissional, e não de impressões pessoais. Se você duvidasse desse parecer por supor que sofreu apenas uma torção, buscaria uma segunda opinião de outro médico, a qual, em uma área padronizada, deveria coincidir com a primeira.
Esse cenário evidencia um princípio elementar: quanto mais padronizada for uma profissão — ou seja, quanto mais ela exigir graduações, diplomas e certificações que comprovem conformidade técnica —, maior será a probabilidade de que dois especialistas cheguem à mesma conclusão profissional.
Em profissões com menor grau de padronização, como nos setores criativo e tecnológico, os posicionamentos técnicos podem divergir substancialmente, fazendo com que uma segunda avaliação varie consideravelmente entre colegas de uma mesma especialidade.
Músicos profissionais, por exemplo, podem discordar quanto à qualidade técnica de uma composição; artistas podem divergir sobre a autenticidade e o valor de uma obra; e desenvolvedores de software podem discordar se determinada estrutura de código foi bem elaborada. Essas divergências não indicam carência de instrução, experiência ou capacitação, mas apenas a ausência de padronização inerente a esses setores.
Independentemente do grau de padronização da sua atividade, sempre que sua avaliação profissional for demandada, externe-a com integridade. Essa solicitação costuma ser apresentada de forma explícita: "Por favor, compartilhe sua opinião profissional" ou "Gostaríamos do seu parecer técnico".
Fora de um contexto de solicitação direta, quando alguém expressa uma opinião, nem sempre fica claro se o comentário possui fundamento técnico ou se reflete apenas uma preferência pessoal.
O risco dessa ambiguidade reside no fato de que avaliações profissionais agregam alto valor operacional, enquanto impressões pessoais tendem a ser menos relevantes para a tomada de decisão.
Considere, por exemplo, que você esteja participando de uma deliberação sobre o lançamento de uma funcionalidade e afirme: "Sinto que este recurso é desnecessário". Nesse formato, a relevância atribuída ao seu posicionamento permanece difusa. As pessoas têm total liberdade sobre suas impressões subjetivas; portanto, sua perspectiva individual tem validade pessoal, mas pode não ter relevância para o grupo. Se, em vez disso, você declarar: "Na minha opinião profissional, este recurso é desnecessário", a dúvida se dissipa pelo fato de você explicitar que não está emitindo um juízo subjetivo. A partir dessa clareza, viabiliza-se um debate qualificado sobre os critérios técnicos da sua avaliação.
Quanto a manifestar preferências pessoais no ambiente profissional, essa costuma ser uma abordagem contraproducente, visto que divergências subjetivas provocam atritos com facilidade. No mínimo, no contexto corporativo, evite expor visões pessoais sobre pautas polêmicas, como política, pautas sociais ou religião; debates aparentemente casuais podem rapidamente descambar para fricções interpessoais, comprometendo o alinhamento e o clima da organização.