Impressões

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À medida que desenvolvemos uma percepção e uma apreciação mais profundas da comunicação não verbal, o tema das primeiras impressões torna-se repentinamente muito mais importante. O ditado: "Você nunca tem uma segunda chance de causar uma primeira impressão" é um lembrete de que, quando duas pessoas se encontram pela primeira vez, elas se julgam mutuamente com base, principalmente, no que comunicam de forma não verbal, muito antes de uma única palavra ser dita.

Sua impressão sobre alguém começa antes mesmo de a pessoa dizer qualquer palavra. Como ela está vestida? Como está sua aparência e seu asseio pessoal? Qual é a sua postura? Essas são apenas algumas das perguntas que nos fazemos segundos após ver alguém. Com base nesse julgamento instantâneo, nossa impressão sobre a pessoa se forma e, a partir desse momento, ela molda todas as interações seguintes até que essa impressão se transforme.

Uma das muitas vantagens de uma aparência profissional é padronizar as primeiras impressões segundo aquilo que todos em sua área concordam ser aceitável. Isso elimina grande parte da pressão de causar uma boa impressão, mas há um limite para o que a aparência profissional pode fazer por você.

Por exemplo, tomemos alguém recém-formado em um dos melhores programas de MBA do mundo e acompanhemos as impressões que essa pessoa causa em seu primeiro dia de trabalho em uma das maiores multinacionais do setor financeiro. Antes de fazê-lo, vamos fazer uma pequena alteração em sua comunicação não verbal e adicionar uma tatuagem em seu rosto. Que impressão o nosso promissor novo funcionário causará agora nas pessoas com quem se encontrar?

Ao avaliar a impressão que você transmite às pessoas, é preciso fazer a si mesmo uma pergunta fundamental: Que impressão estou transmitindo e essa é a impressão que realmente desejo passar?

Se você fosse uma celebridade da indústria musical, uma tatuagem no rosto não seria apenas aceitável, mas praticamente esperada. Se a intenção fosse transmitir a impressão de alguém descolado e arrojado, o objetivo provavelmente teria sido alcançado.

Se quisesse ser analista financeiro em um dos maiores bancos do mundo, sua tatuagem facial também comunicaria que você é descolado e arrojado — porém, essas não são palavras normalmente associadas a banqueiros. A questão, portanto, é: essa é a impressão que você deseja transmitir?

Em termos de aparência física, tatuagens no rosto não podem ser alteradas facilmente; felizmente, porém, com uma simples troca de roupa e de corte de cabelo, a impressão causada pode mudar radicalmente para aquilo que você desejar. Basta folhear uma revista de moda, assistir a um desfile ou acompanhar um evento de tapete vermelho para constatar com que intensidade roupas e cabelo podem transformar a aparência de alguém.

Além do cabelo e das roupas, a forma como você posiciona seu corpo pode transmitir impressões radicalmente diferentes, sobretudo quando se trata de projetar confiança.

Quando tentamos causar uma boa primeira impressão, queremos parecer confiantes, pois as pessoas desejam interagir — e, consequentemente, fazer negócios — com indivíduos confiantes.

Para entender como posicionar o corpo de modo a transparecer confiança, é útil analisar dois extremos caricatos. O primeiro é a pose de super-herói; o segundo é a postura de uma criança que acabou de derrubar um prato cheio de comida no restaurante.

Para posicionar seu corpo como um super-herói: fique ereto, projete os ombros para trás, erga levemente o queixo, vire a cabeça para o lado e fixe o olhar em algo distante, ligeiramente acima da linha dos olhos; apoie ambas as mãos na cintura com os polegares apontados para trás e afaste os pés na largura dos ombros. Agora, estreite ligeiramente os olhos e dê um sorriso largo. Como toque extra, arqueie uma sobrancelha.

Agora, só faltam o traje e uma capa.

Para posicionar o corpo como a criança que acabou de derrubar o prato de comida no restaurante: fique em pé com os pés juntos, mantenha as mãos ao lado do corpo com os polegares escondidos dentro dos punhos fechados, curve os ombros o máximo possível para baixo e baixe a cabeça até o queixo praticamente tocar o peito. Agora, curve os cantos da boca para baixo, arqueie as sobrancelhas apenas no centro e olhe fixamente para o chão.

Sim, você está em apuros.

Esses são os dois extremos ao projetar confiança por meio da linguagem corporal. Se vestíssemos a criança com um traje de super-herói ou colocássemos o prato quebrado com comida derramada aos pés da pessoa na pose de herói, nada disso importaria: a impressão transmitida pela linguagem corporal prevaleceria sobre qualquer outro detalhe.

Como regra geral, quando nos sentimos confiantes, nós nos expandimos; quando nos sentimos inseguros, nós nos retraímos. A linguagem corporal de excesso de confiança às vezes é chamada de “Spreading” (expansão), enquanto a linguagem corporal insegura costuma ser chamada de “Turtling” (encolhimento).

No mundo real, a medida apropriada de confiança a ser demonstrada situa-se na extremidade do espectro mais próxima à do super-herói, mas sem nunca atingir esse exagero. Mãos na cintura e pernas afastadas constituem uma demonstração extrema de confiança; portanto, é melhor não chegar a tanto. Para praticamente qualquer situação no ambiente corporativo, estabelecer contato visual com a pessoa, acompanhado de um sorriso e um aperto de mão, costuma ser suficiente.

A propósito, caso você esteja em uma reunião e queira transmitir a impressão de ser um supervilão: sente-se inclinado para a frente na cadeira, com os cotovelos sobre a mesa. Junte as pontas dos dedos em formato de cúpula, de modo que os polegares e indicadores formem um triângulo. Agora, tamborile os dedos em sequência. Baixe ligeiramente a cabeça e encare o seu arqui-inimigo por cima dos dedos unidos, sem piscar ou desviar o olhar. Como toque extra, dê um sorriso sinistro. Agora, resta apenas aguardar que a segurança seja chamada para escoltá-lo para fora do edifício.

Curiosamente, até as menores variações na linguagem corporal podem alterar a impressão transmitida. Por exemplo, assuma novamente a postura de super-herói descrita antes, mas faça uma mudança sutil: em vez de apoiar as mãos na cintura com os polegares voltados para trás, coloque-as com os polegares apontados para a frente. Olhe-se no espelho e você perceberá que essa simples alteração na posição dos polegares transformou sua postura de confiante para curiosa.

O fato de as pessoas julgarem as outras pela primeira impressão é uma realidade incontestável, mas você exerce uma influência considerável sobre a imagem que projeta. Seja qual for a impressão que você transmita — de super-herói, supervilão ou profissional corporativo altamente confiante —, certifique-se sempre de que ela corresponde exatamente ao que você deseja comunicar.