Vulnerabilidade

6.1.3Iniciante5 min de leitura

Para que um grupo de pessoas se transforme em uma equipe, cada membro precisa aprender a confiar nos outros. Para que as pessoas confiem em nós, elas precisam sentir que podem ser emocionalmente vulneráveis ao nosso lado. Para que nós confiemos nelas, precisamos sentir que podemos ser emocionalmente vulneráveis com elas. Isso cria um paradoxo: a confiança requer vulnerabilidade, mas a vulnerabilidade exige confiança. Como nos tornarmos uma equipe de pessoas que confiam mutuamente sem sermos vulneráveis, e como nos sentirmos seguros para demonstrar vulnerabilidade antes de construir a confiança?

Se os membros de uma equipe não confiam uns nos outros, ela não passa de uma alocação organizacional de pessoal designada para o mesmo objetivo. Diante da adversidade, uma equipe sem confiança mútua vai se fragmentar, pois seus integrantes focarão no sucesso individual e não no coletivo. Essa divisão impede que o todo supere a soma das partes, e, em vez de uma equipe, resta apenas um grupo de colaboradores individuais.

No entanto, quando um grupo aprende a confiar mutuamente, passa a alavancar os pontos fortes de cada um e a compensar os pontos fracos coletivos. As metas atribuídas ao grupo deixam de ser vistas apenas como metas da empresa e se tornam objetivos da equipe; em vez da busca pelo êxito individual, o foco migra para o sucesso do time. Esse é o modelo de equipe que toda organização busca e precisa no mundo atual, mas alcançar esse nível de confiança exige esforço contínuo.

Para promover a confiança e a vulnerabilidade, muitas organizações tentam criar um ambiente de trabalho emocionalmente "seguro". Embora essa seja uma intenção louvável, a segurança emocional não pode ser instituída por meio de políticas organizacionais.

Um ambiente de trabalho verdadeiramente "seguro" do ponto de vista emocional significaria que nenhum colaborador precisaria temer repercussões negativas decorrentes de sua vulnerabilidade. O mundo real, contudo, apresenta dois obstáculos quase insuperáveis à consolidação dessa utopia. Primeiro, as empresas não têm controle total sobre a forma como seus colaboradores se comunicam entre si. Segundo, não exercem nenhum controle sobre como os profissionais reagem à comunicação alheia, já que as respostas emocionais ocorrem por instinto e raramente estão sob domínio direto de alguém.

Imagine que, durante uma reunião, você decida demonstrar vulnerabilidade ao compartilhar sua preocupação de que a qualidade de seu trabalho talvez não atinja os padrões exigidos pela empresa. Imagine agora que um colega responda a essa exposição soltando um suspiro profundo e revirando os olhos. Como você reagiria? A maioria das pessoas interpretaria esses sinais não verbais como desrespeito e se sentiria imediatamente incomodada, reação que poderia evoluir para tristeza. Por outro lado, e se essa reação involuntária não fosse direcionada a você, mas sim aos padrões irrealistas da empresa? E se, em vez de desrespeito, ele estivesse demonstrando empatia e apoio ao sugerir indiretamente que tais padrões deveriam ser revistos?

Se não podemos controlar totalmente o que nos faz suspirar ou revirar os olhos, e tampouco como reagimos a esses mesmos gestos vindos dos outros, como garantir que o ambiente corporativo seja um local seguro para demonstrar vulnerabilidade?

Ao aceitar que a segurança emocional não pode ser garantida em nenhum contexto social — seja na vida pessoal ou na carreira —, podemos deixar de focar em uma segurança absoluta para nos concentrarmos em adotar as precauções adequadas. Sob essa ótica, podemos comparar a segurança emocional à segurança veicular.

A forma mais segura de evitar acidentes de trânsito é simplesmente nunca dirigir, o que equivaleria a jamais ser vulnerável com qualquer pessoa. Uma alternativa prudente seria dirigir com atenção e usar o cinto de segurança. Dirigir com atenção equivale a respeitar o próximo e esperar reciprocidade. Usar o cinto de segurança corresponde a estar preparado para lidar com condutas desrespeitosas e estar disposto a se posicionar, solicitando com firmeza e assertividade uma mudança de comportamento.

Para construir a confiança mútua, é necessário um equilíbrio contínuo: uma dose de vulnerabilidade gera confiança, e essa confiança estimula novas demonstrações de vulnerabilidade. Na medida em que essas experiências trazem retornos positivos e consistentes ao longo do tempo, as pessoas passam gradualmente a baixar a guarda à medida que os colegas fazem o mesmo.

Suponha, por exemplo, que você comente com um colega sobre sua dificuldade de concentração e como sempre acaba se distraindo com o celular, mesmo ciente de suas tarefas pendentes. Seu interlocutor então responde: "Não se preocupe, todos enfrentam dificuldades de foco às vezes", e relata que conseguiu contornar o problema desativando as notificações durante o expediente. Nesse cenário, ambos compartilharam uma experiência construtiva de vulnerabilidade mútua, fortalecendo a confiança e criando espaço para diálogos abertos no futuro.

Durante o processo de construção dessa confiança nas equipes, podem ocorrer momentos em que os profissionais não sabem como reagir adequadamente à vulnerabilidade alheia.

Se você disser a alguém que seus olhos estão cansados devido ao excesso de exposição à tela do computador, ouvir "Talvez você deva usar óculos" soaria desconfortável, pois sua intenção não era receber uma consulta oftalmológica, mas apenas desabafar e encontrar empatia em seu colega de equipe.

Esses descompassos fazem parte da comunicação humana genuína e ocorrem com maior frequência entre pessoas com menor vivência em dinâmicas de grupo. Ao se expor com vulnerabilidade e receber uma reação desajeitada, se notar que não houve má intenção, procure relevar o ocorrido; falhas ocasionais de comunicação são inevitáveis ao longo do caminho.

Ainda assim, quando essas situações ocorrerem, em vez de reprimir sua reação emocional, aproveite o momento para expressar com transparência o que sentiu, mantendo o máximo de profissionalismo e respeito. Se receber uma crítica que considere inadequada, pontue isso com clareza. Se fizerem uma piada às suas custas que cause incômodo, diga que aquilo o desagradou e peça para não repetirem. A dinâmica dos relacionamentos profissionais exige a participação ativa de ambas as partes: quando alguém pisa no pé do parceiro de dança, a resposta correta é ajudá-lo a dançar melhor, e não fingir que nada aconteceu.