Fotos

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As fotos são utilizadas para comunicar tanto informação quanto emoção. Embora as fotos nos forneçam a informação visual mais precisa — por serem um registro literal da realidade —, devemos ter o cuidado de garantir que também estamos evocando as emoções pretendidas.

Nem todos interpretamos o que vemos da mesma maneira: uma pessoa pode olhar para uma foto e sentir algo, enquanto outra pode olhar para a mesma imagem e ter uma reação completamente diferente.

Por exemplo, ao olhar para a foto de um carro cheio de pessoas rindo e se divertindo ao volante, você pode achar agradável viajar e se divertir com amigos, ao passo que outra pessoa pode interpretar aquilo como um alerta sobre direção distraída.

Em tese, a abordagem mais segura seria não usar fotos em nossa comunicação corporativa, mas isso seria irrealista, já que muitas vezes a melhor maneira de comunicar algo a um público é simplesmente mostrar uma fotografia.

Por exemplo, ao ministrar um treinamento sobre como operar um novo maquinário, criar uma apresentação sem nenhuma foto desse equipamento seria estranho e representaria uma oportunidade pedagógica perdida.

Esse exemplo aponta para um dos conceitos mais importantes na seleção de fotos para a comunicação corporativa: as pessoas se envolvem muito mais emocionalmente ao ver fotos de outras pessoas do que ao ver imagens de objetos.

Imagine que nossa apresentação contenha uma foto mostrando apenas o maquinário, e outra com o mesmo equipamento, mas desta vez com um homem mais velho demonstrando a máquina a um grupo de mulheres jovens. Enquanto a primeira foto pode ser interpretada de forma literal, a segunda adquire um significado inteiramente novo ao introduzir a ideia de que não é apenas o maquinário que importa, mas também que tal equipamento exigiria um homem mais velho instruindo um grupo de mulheres.

Para evitar questionamentos sobre suas intenções ou motivações ao selecionar fotos, faça o possível para evitar o uso de fotos de pessoas, sempre que viável.

Observe como essa abordagem difere daquela adotada na publicidade, onde o impacto de imagens com pessoas é amplamente compreendido e deliberadamente explorado para manipular nossas emoções. Diante de um anúncio de creme dental, os publicitários não exibem apenas o produto, mas sim pessoas atraentes utilizando-o. Pode-se argumentar que selecionar as pessoas certas para associar a um produto está no cerne da publicidade, como comprova qualquer anúncio de perfume estrelado por atores e atrizes famosos.

Felizmente, o dilema da escolha de fotos na comunicação corporativa tem uma solução clara: utilize bancos de imagens profissionais, especificamente voltados para o uso corporativo e provenientes de fontes confiáveis.

A razão pela qual o seu banco de imagens deve ser de fonte confiável é que, para usar qualquer foto que você não tenha tirado, é obrigatório ter a autorização do fotógrafo. Não há exceções a essa regra: os direitos autorais são concedidos no exato momento em que a fotografia é tirada — mesmo sem aviso explícito de copyright —, e utilizá-la sem permissão configura violação de direitos autorais. Em outras palavras, não copie simplesmente qualquer imagem encontrada na internet por achar que ficará bem em seu documento ou apresentação; você deve ter 100% de certeza de que tem permissão para usá-la. Uma boa regra prática: se houver dúvida sobre poder ou não usar uma foto, não use.

Embora existam muitos sites gratuitos de bancos de imagens, as melhores fotografias costumam exigir uma licença paga. Essas licenças podem custar poucos dólares ou chegar a centenas ou até milhares de dólares. Por exemplo, uma imagem no GettyImages.com pode custar US$ 499 na resolução máxima com licença padrão. Vale notar que nem todas as licenças são iguais; frequentemente, a concessão restringe-se a mídias específicas, de modo que uma foto licenciada exclusivamente para uso na web não pode ser aproveitada em materiais impressos.

Se você optar por tirar sua própria foto para uso em um documento corporativo, tem total liberdade para fazê-lo, pois, a partir do instante do clique, a foto pertence a você. No entanto, isso gera um dilema ético: o simples fato de você ter tirado a foto e ser o proprietário dela não significa que as pessoas retratadas desejem que ela seja divulgada.

Esse fenômeno explica por que celebridades costumam repudiar paparazzi inescrupulosos, já que frequentemente são fotografadas sem seu conhecimento e a imagem resultante — muitas vezes desfavorável — é vendida a veículos de imprensa sem o seu consentimento.

Sem chegar ao extremo dos paparazzi com celebridades, uma situação comum no cotidiano é fotografar colegas de trabalho para utilizar as imagens em sites, documentos ou apresentações. Ainda que você considere a foto excelente, seus colegas podem não achar o mesmo, pois as pessoas costumam ser sensíveis à própria imagem. Por cortesia profissional, se for fotografar colegas, peça permissão antes de registrar a imagem e, após o clique, mostre a foto para obter a autorização de uso. Caso prefiram não ter a foto utilizada, respeite a decisão — embora a imagem tecnicamente pertença a você.

Supondo que você obtenha as devidas permissões para utilizar uma foto que tirou, também é fundamental lembrar que a fotografia é uma disciplina artística própria: o simples fato de conseguir tirar uma foto não significa que ela seja boa.

Uma boa fotografia exige equilíbrio em composição, cor, iluminação, foco e exposição — e, se algum desses elementos falhar, a imagem poderá não ser adequada para o uso profissional.

Felizmente, há diversos tutoriais gratuitos disponíveis na internet ensinando a capturar excelentes fotografias. Se você precisa tirar muitas fotos para fins profissionais, vale a pena dedicar tempo ao aprimoramento dessas habilidades.

As fotos podem ser belas, expressivas e informativas, servindo para enriquecer, elevar e aprimorar seus documentos e apresentações.

Desde que haja o devido cuidado na obtenção de autorizações e na seleção ou produção de imagens com padrão profissional, as fotos confirmarão o ditado de que uma imagem vale mais que mil palavras — restando apenas garantir que sejam exatamente as palavras pretendidas.